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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Tradições Luxemburguesas: Buergbrennen 2024

O Buergbrennen é um evento que acontece anualmente no primeiro domingo a seguir ao Carnaval, o primeiro domingo da Quaresma, e significa “Castelo em Chamas”. 

A "Cruz" de Bonnevoie, by Me

Neste post, de 2023, explicamos um pouco sobre esta tradição secular, mas fica aqui novamente um pequeno resumo para quem não leu. 

Esta tradição luxemburguesa, de origem pagã, simboliza a despedida do inverno e as boas vindas à primavera. Aqui “acende-se” uma grande fogueira para afastar a estação fria, fogueira essa feita com bocados de madeira, palha, árvores de natal velhas e outros materiais inflamáveis. Mas não pensem que é uma “simples” fogueira, porque não é. É algo pensado e construído por uma organização da vila/aldeia. Em muitos casos, são verdadeiras construções como castelos, tanto em comprimento como em altura. Ainda antes do buerg (castelo) ser incendiado, acontece uma pequena procissão com tochas (fazelzuch, em luxemburguês) pela vila até ao local onde se encontra a construção a queimar - esta procissão não acontece sempre, nem em todos os locais.

Realizado em quase todas as vilas do país, este evento junta a população em torno de uma pequena festa, onde os comes e bebes tradicionais não faltam, como bouneschlupp (sopa de feijão verde), Ierzebulli (sopa de ervilhas) ou Glühwäin (vinho quente). 

Hoje em dia, não acontece apenas ao domingo, mas também ao sábado, dependendo do local e para que todos possam participar em várias localidades. Se o ano passado, o ano do nosso primeiro Buergbrennen, fomos ver o maior Buergbrennen realizado no país, este ano decidimos ficar pela localidade onde moramos e ver a construção do "nosso" bairro. Aqui quem realiza o evento são os Escuteiros também do bairro e pela Fanfarra Municipal. 

Os escuteiros e as tochas, by Sérgio Piçarra Photography

Começa o "incêndio", by Me

O início da queima do castelo estava marcado para as 19h15 e quando lá chegamos antes disso já havia muita gente. Barraquinhas de comida e bebida junto à cruz, feita com paletes e outros materiais inflamáveis; famílias e amigos em plena confraternização e as pessoas a instalarem-se em locais de onde pudessem ter a melhor vista e tirar as melhores fotografias. Toda a festa foi acompanhada com música de fundo, tocada pela Fanfarra Municipal, para ajudar o tempo de espera a passar. 

Às 19h30 o fogo é ateado, após uma pequena procissão feita pelos escuteiros (costuma haver uma procissão maior, que vai desde a igreja do nosso bairro até ao local onde se dá o buergbrennen, mas este ano não foi realizada) e o incêndio da cruz começa. A partir daí foi esperar que toda a construção pegasse fogo, com as pessoas (nós incluídos) maravilhadas a olhar para aquele espetáculo (há alguma coisa no fogo que se torna hipnotizante e que nos prende ali a olhar como se nunca tivéssemos visto uma fogueira a arder). 

A "cruz" totalmente em chamas, by Me
A "cruz" totalmente em chamas, by Me























Ao fim de quase uma hora, a cruz já estava praticamente queimada e a população começou a deixar o recinto. Apesar de estar praticamente queimada quando nos viemos embora, ao chegarmos a casa, ainda conseguíamos ver ao longe algumas chamas e sentir o cheiro a queimado (acho que o cheiro andou no ar todo o fim-de-semana devido à quantidade de "fogos" que houve no país). É um espetáculo bonito de se ver e uma tradição que a população teima em manter e em passar aos mais novos (o que pessoalmente acho muito bem), para que os costumes não se evaporem com o tempo.

A "cruz" a arder, by Sérgio Piçarra Photography

A "cruz" a arder, by Sérgio Piçarra Photography

Este evento junta as famílias, os amigos, os habitantes locais e os vizinhos de outras localidades. Traz a esperança de dias mais amenos, mais longos (que já se notam bem) e com mais horas de luz. Traz-nos a esperança do renascimento de novos dias e de uma nova estação.

A "cruz" a arder, by Sérgio Piçarra Photography

A "cruz" a arder, by Sérgio Piçarra Photography

A "cruz" a arder, by Sérgio Piçarra Photography

Data: 17 de fevereiro de 2024

* Todas as fotografias publicadas foram tiradas por mim, com o telemóvel, e pelo Sérgio Piçarra Photography (o meu fotografo preferido 😍)!

segunda-feira, 6 de março de 2023

Tradições Luxemburguesas: Buergbrennen

O Buergbrennen é um evento que acontece anualmente no primeiro domingo a seguir ao Carnaval, o primeiro domingo da Quaresma, e significa “Castelo em Chamas”. 

O "Castelo" de Niederanven, by Sérgio Piçarra Photography

Esta tradição luxemburguesa, de origem pagã, simboliza a despedida do inverno e as boas vindas à primavera. Aqui “acende-se” uma grande fogueira para afastar a estação fria, fogueira essa feita com bocados de madeira, palha, árvores de natal velhas e outros materiais inflamáveis. E não pensem que é uma “simples” fogueira, porque não é. É algo pensado e construído por uma organização da vila/aldeia. Em muitos casos, são verdadeiras construções como castelos, tanto em comprimento como em altura. Ainda antes do buerg (castelo) ser inflamado, acontece uma pequena procissão com tochas (fazelzuch, em luxemburguês) pela vila até ao local onde se encontra a construção a incendiar. 

Realizado em quase todas as vilas do país, este evento junta a população em torno de uma pequena festa, onde os comes e bebes tradicionais não faltam, como bouneschlupp (sopa de feijão verde), Ierzebulli (sopa de ervilhas) ou Glühwäin (vinho quente). 

Hoje em dia, não acontece apenas ao domingo, mas também ao sábado, dependendo do local e para que todos possam participar em várias localidades. Em alguns dos locais, aqueles que levam a tradição mais a peito, cabe ao casal casado há menos tempo a honra de acender a fogueira ou ao casal que irá trocar os votos de casamento a seguir. 

Foi o nosso primeiro Buergbrennen, embora o ano passado (em 2022) já cá estivéssemos nessa altura, e decidimos ir ver aquela que (do que vimos online a nível de fotografias) é a maior construção para queimar neste evento, em Niederanven. Aqui, num recinto aberto e enorme, foi construído um grande castelo, com troncos e paletes. O início da queima do castelo estava marcado para as 19h30, mas já havia muita gente muito antes disso. Barraquinhas de comida e bebida nas duas pontas do recinto, famílias e amigos em plena confraternização e as pessoas a instalarem-se em locais de onde pudessem ter a melhor vista e tirar as melhores fotografias. Todo este processo acompanhado com música de fundo, para ajudar o tempo de espera a passar. 

A primeira "bomba" rebenta, by Sérgio Piçarra Photography

19h30 em ponto rebenta a primeira “bomba” e o incêndio do castelo começa. A partir daí foi esperar que todo o castelo pegasse fogo, as pessoas ficassem maravilhadas a olhar para aquele espetáculo (por algum motivo o fogo é algo hipnotizante e que nos prende ali) e a soltarem gritinhos de alegria enquanto se ouvia o crepitar da lenha. Só ao fim de uma hora é que as pessoas começaram a ir embora do recinto, como nós, não sem antes parar duas e três vezes pelo caminho e olhar para trás, para ver o espetáculo que estava ainda a acontecer. 

O "Castelo" totalmente em chamas, by Sérgio Piçarra Photography

O "Castelo" totalmente em chamas, by Sérgio Piçarra Photography

Um espetáculo bonito e uma tradição que a população de todo o país teima em manter e em passar aos mais novos, para que os costumes não se evaporem com o tempo. É um evento que junta famílias, amigos, habitantes locais e vizinhos de outras localidades. É um evento que trás a esperança de dias mais amenos e mais longos e com mais horas de luz. E tal como uma fénix renasce das suas próprias cinzas, esta festa traz-nos a esperança do renascimento de novos dias e de uma nova estação. 

A população a assistir, by Sérgio Piçarra Photography

Em busca dos melhores lugares e da melhor foto, by Sérgio Piçarra Photography

Datas: 25 & 26 de fevereiro de 2023