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quarta-feira, 15 de março de 2023

Tradições Luxemburguesas: Cavalcade @ Remich

Continuando com as tradições luxemburguesas, vamos falar do Carnaval 😱. Engane-se quem acha que os países mais a norte da Europa não ligam ao Carnaval ou sequer o festejam. Festejam e festejam em grande.

Carro alegórico @ Cavalcade Remich, by Sérgio Piçarra Photography

Pessoas mascaradas @ Cavalcade Remich, by Sérgio Piçarra Photography

Aqui no Luxemburgo os festejos de Carnaval começam no dia 2 de fevereiro, com o Liichtmëssdag (Dia da Candelária), 40 dias depois do Natal e quando as crianças saem à rua com as suas lanternas, feitas por eles – vou falar sobre essa tradição noutro post à parte. Os festejos terminam, supostamente, na Äschermëttwoch, a quarta-feira de cinzas (dia a seguir ao dia de Carnaval), com a queima do Stréimännchen (um boneco de palha vestido de homem que leva uma carteira vazia e uma garrafa também vazia, para simbolizar os gastos durante o período carnavalesco e reparar as transgressões dos foliões) na vila de Remich, junto ao Rio Mosela. O boneco é levado para a ponte entre o Luxemburgo e a Alemanha e aqui é devidamente incendiado e depois atirado ao rio. O intuito é dispersar os espíritos do inverno e celebrar a chegada da primavera. A procissão que antecede a queima do Stréimännchen é acompanhada por bandas locais.

No entanto, para os luxemburgueses a festa não termina aqui. Até ao quarto domingo da Quaresma, ou Bretzelsonndeg, ou ainda 1/2 faaschten (meio da quaresma, em luxemburguês), continuam a haver bailes e desfiles de carnaval por esse país fora. Volta a ser em Remich a derradeira cavalcade (cavalgada) da época.

Copos entregues com a compra do bilhetes, by Me

Donuts distribuídos pela Cavalcade, by Me

Durante o desfile vão distribuindo vinho local para prova, by Me

Os confettis atirados a partir dos carros alegóricos, by Me

Após uma paragem de três anos, devido à pandemia Covid, a Cavalcade Réimech volta para a sua 35ª edição. O que é a Cavalcade? Em tradução direta é uma cavalgada, mas aqui não no sentido literal da palavra, porque a Cavalcade é um colorido desfile carnavalesco, repleto de grupos mascarados de igual, acompanhados de carros alegóricos dedicados ao tema do grupo. A festa começa na sexta-feira, dia 17 de março, após o horário laboral, e termina no dia 19 de março, com a Cavalcade e a festa que se segue. No final da Cavalcade é eleito o príncipe ou princesa da mesma.



Foto by Me

Foto by Sérgio Piçarra Photography

Foto by Sérgio Piçarra Photography

Foto by Sérgio Piçarra Photography

Foto by Sérgio Piçarra Photography

Foto by Sérgio Piçarra Photography

A entrada no recinto tem um custo de €5/pessoa e dá direito a um copo a ser utilizado durante o desfile, quando os participantes da Cavalcade distribuírem bebidas pela assistência (uma forma de poupar recursos e gastar menos plástico). Também são distribuídos doces (mais atirados do que distribuídos) pelas crianças (e adultos também 😋) que andam eufóricos e a competir entre si, para ver quem leva o saco mais cheio para casa 😂. É claro que os donuts na fotografia acima não foram atirados, mas sim distribuídos por quem quis experimentar (eram deliciosos 😁).


Data: 19 de março de 2023

* Todas as fotografias publicadas (e também o filme) foram tiradas por mim, com o telemóvel, e pelo Sérgio Piçarra Photography (o meu fotografo preferido 😍) com a sua super máquina Canon 60D!

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Mudar o mundo: uma pessoa de cada vez #2

Imagem retirada da internet


Quase um mês depois de Portugal (e uma boa parte da Europa) começar a desconfinar e a libertar-se  (pelo menos teoricamente) da pandemia, está a deixar-se lentamente o tele-trabalho e muitos começam a regressar (ou a preparar o regresso) aos escritórios. Cá por casa continuamos, e continuaremos, em tele-trabalho, por mais uns tempos. 

Com o desconfinamento chegou também o calor e a vontade das pessoas saírem de casa (vê-se muito mais gente nas ruas e nas estradas, ou é impressão minha?), apanharem ar e banhos de sol (estamos na altura em que a praia começa a chamar por nós, verdade?). Confesso que ainda não tenho coragem de me enfiar em sítios com muita gente, mesmo que ao ar livre. As nossas saídas continuam a cingir-se aos mínimos, como ir às compras, caminhadas pela urbanização e pouco mais que isso. 

Compreendo que as pessoas se sintam cansadas de estar fechadas, presas entre quatro paredes, muitas sem varandas onde apanhar um pouco de sol, e precisem de sentir que a normalidade está a voltar às suas vidas. No entanto, a pandemia ainda não passou. Estamos bem, mas a ficar longe do que alcançamos durante os Estados de Emergência e respetivos confinamentos. E se continuarmos assim, em breve, poderemos estar a ser obrigados a ficar em casa novamente...e, desta vez, no verão. 

Por isso, tenham cuidado. Não se exponham desnecessariamente e lembrem-se que é só mais um esforço (ainda que para muitos isso pareça ser pedir muito). Todos temos a responsabilidade de nos proteger a nós e, por consequência, aos outros. Como alguém já disse: "temos de ser polícias de nós próprios".

Como nunca é demais relembrar, deixo-vos as recomendações da DGS (Direção Geral de Saúde) para as idas à praia, mesmo que a época balnear só se inicie a 6 de junho.




segunda-feira, 27 de abril de 2020

O vírus da Saudade 💛

Kasteel van Gaasbeek, Bélgica (2017), by Sérgio Piçarra Photography

No mês em que devemos celebrar a liberdade alcançada na Revolução dos Cravos, somos obrigados a lembrá-la entre paredes das nossas casas e isto dá-nos que pensar. E faz-me pensar sobretudo que, apenas há 4 meses atrás, nunca imaginamos o quanto a vida ia alterar. Em dezembro de 2019, começamos a ouvir falar de um novo vírus (SARS COV-2 ou Covid19), com origem na cidade chinesa de Wuhan, que provocava sintomas parecidos aos de uma gripe e que, tal como a gripe mais comum, poderia causar a morte a pessoas de grupos de risco (idosos, pessoas debilitadas e com problemas de saúde). Tal como alguns outros vírus já existentes no passado nunca ninguém achou (eu incluída) que este novo vírus viesse a parar as pessoas, as empresas…e o mundo! As nossas vidas sofreram alterações drásticas no seu dia-a-dia, tanto a nível pessoal como a nível de trabalho. Para uma boa parte das pessoas estas alterações permitiram-lhe colocar em perspetiva o que é realmente importante e perceber que afinal a vida que levavam, com mais ou menos folga, com mais ou menos glamour, com mais ou menos saídas e jantares fora, entre muitas outras coisas, afinal não era tão “má” quanto podiam julgar.

Na realidade, a minha vida acabou por não sofrer grandes alterações devido a este vírus que anda por aí à solta. Desde 2017 que tenho a possibilidade de trabalhar de casa e, ao fim de um ano, as vezes que vou para o escritório acabam por contar-se pelos dedos. No entanto, não deixo de sentir que este vírus me tirou a liberdade de poder sair quando me apetecia. De fazer a minha vida de acordo com a minha disponibilidade e vontade. Isso é o que sinto mais saudades: a liberdade de decidir se hoje quero ir dar uma volta até à praia ou ir até ao centro comercial ou simplesmente ficar sentada na varanda a ler um livro.

Que estes tempos nos permitam olhar para o que tivemos (sim no passado porque isto vai ser, como já li algures, a era antes do Covid e era pós Covid) e ter saudades de coisas que considerávamos como garantidas: o acordar de manhã e toda a azafama de preparar pequenos-almoços e os almoços do dia (ou decidir almoçar/jantar fora), levar os miúdos à escola, ir para o trabalho, conduzir, confraternizar com os colegas, ter reuniões, ir às compras sem horários e sem ter de esperar em filas pela nossa vez (e porque não podemos estar mais de x pessoas ao mesmo tempo naquele espaço), passear por onde nos apetecia e um sem número de coisas que fazíamos quase sem pensar e que sempre demos por garantidas. Mas ao mesmo tempo não podemos esquecer que estes tempos também nos trouxeram mais tempo em família e mais conversas (já muitas vezes esquecidas porque não havia tempo), mais refeições caseiras, novas experiências e muitas outras coisas, tais como o cheiro do pão quente feito em casa. Afinal eramos felizes e apenas não sabíamos!


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