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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Tradições Luxemburguesas: Cavalcade @ Esch-sur-Alzette 2024

De todas as tradições luxemburguesas que conhecemos até hoje, a que mais nos surpreendeu foi mesmo o Carnaval e as festas que estão associadas a esta festividade.

Quando falamos no Carnaval as primeiras coisas que pensamos são, provavelmente: calor e Brasil e, para os portugueses mais entusiastas desta época, o Carnaval de Torres Vedras.

No entanto, que se engane quem acha que os países mais a norte da Europa não ligam ao Carnaval ou que nem sequer o festejam. Festejam sim! E festejam em grande!

Cartaz Escher Fues Weekend, by Me

Este ano, 2024, aqui no Luxemburgo os festejos de Carnaval começaram no dia 2 de fevereiro, com o Liichtmëssdag (Dia da Candelária), 40 dias depois do Natal e quando as crianças saem à rua com as suas lanternas, feitas por eles – vou falar sobre essa tradição noutro post à parte. 

Os festejos de Carnaval terminam, supostamente, na Äschermëttwoch, a quarta-feira de cinzas (o dia a seguir ao dia de Carnaval), com a queima do Stréimännchen (um boneco de palha vestido de homem que leva uma carteira vazia e uma garrafa também vazia, para simbolizar os gastos durante o período carnavalesco e reparar as transgressões dos foliões) na vila de Remich, junto ao Rio Mosela - esta tradição vem desde 1821 e nos anos bissextos, como o é 2024, a personagem a queimar é um boneco vestido de mulher. O boneco é levado para a ponte entre o Luxemburgo e a Alemanha e aqui é devidamente incendiado e depois atirado ao rio. O intuito é dispersar os espíritos do inverno e celebrar a chegada da primavera. A procissão que antecede a queima do Stréimännchen é acompanhada por bandas locais.

No entanto, para os luxemburgueses a festa não termina aqui. Até ao quarto domingo da Quaresma, ou Bretzelsonndeg, ou ainda 1/2 faaschten (meio da quaresma, em luxemburguês), continuam a haver bailes e desfiles de carnaval por este país fora. Este ano, tanto a vila de Remich, como a vila de Pétange apresentam as últimas cavalcades (cavalgadas) da época.

O que é a Cavalcade? Em tradução direta é uma cavalgada, mas aqui não no sentido literal da palavra, porque a Cavalcade é um colorido desfile carnavalesco, repleto de grupos mascarados de igual, acompanhados de carros alegóricos dedicados ao tema do grupo. No final do desfile, são escolhidos os melhores carros e as melhores equipa, sendo oferecido um prémio aos primeiros lugares.

Esch-sur-Alzette, by Me
Esch-sur-Alzette, by Me














Tendo ido o ano passado a Remich e ficando surpreendidos pelo vimos e assistimos, este ano resolvemos ir assistir a outra cavalcade do país, em Esch-sur-Alzette.

Cavalcade, by Me

Cavalcade, by Me

Cavalcade, by Me

Cavalcade, by Me















Foi a 23ª Cavacalde a realizar-se na cidade de Esch-sur-Alzette e a festa teve a duração de três dias: começou na sexta-feira, dia 23 de fevereiro, às 21h00, e terminou no dia 25 de fevereiro, com a Cavalcade e a festa que se seguiu. 

Cavalcade, by Sérgio Piçarra Photography



Cavalcade, by Sérgio Piçarra Photography


Cavalcade, by Sérgio Piçarra Photography
Estes fins-de-semana carnavalescos são para as crianças e para os adultos, também. Se as festas dos graúdos são animadas por DJ's e bandas de música cover; as festas para os mais novos (e não só) são bailes de máscaras, os Kannerfuesbal, também animados por DJ's.





O fim dos festejos dá-se com a Cavalcade propriamente dita, com as ruas repletas de pessoas a participar e a assistir ao cortejo (onde passaram mais de 60 carros alegóricos) e à festa que se segue ao final do desfile.






Durante a Cavalcade os participantes vão distribuindo doces pelas crianças (e adultos) presentes, além de atirarem bastantes papelinhos à população, deixando com um manto feito de papel.*1





Ao contrário da Cavalcade de Remich (e outras), em Esch-sur-Alzette não se paga qualquer valor para assistir, exceto se quiserem participar das festas animadas pelos DJ's, onde a entrada já é paga.

Cavalcade, by Sérgio Piçarra Photography

Transformers na Cavalcade, by Sérgio Piçarra Photography

Transformers na Cavalcade, by Sérgio Piçarra Photography

O samba na Cavalcade também não podia faltar, by Sérgio Piçarra Photography


Data: 25 de fevereiro de 2024

* Todas as fotografias publicadas foram tiradas por mim, com o telemóvel, e pelo Sérgio Piçarra Photography (o meu fotografo preferido 😍) com a sua super máquina Canon 60D!

*1 No final do cortejo entram em cena os serviços municipais que começam a aspirar e limpar as ruas de todo o lixo que possa ter ficado espalhado durante o desfile. Isto tem acontecido em todos os eventos realizados pelo país fora e a que nós temos assistido.

quarta-feira, 15 de março de 2023

Tradições Luxemburguesas: Cavalcade @ Remich

Continuando com as tradições luxemburguesas, vamos falar do Carnaval 😱. Engane-se quem acha que os países mais a norte da Europa não ligam ao Carnaval ou sequer o festejam. Festejam e festejam em grande.

Carro alegórico @ Cavalcade Remich, by Sérgio Piçarra Photography

Pessoas mascaradas @ Cavalcade Remich, by Sérgio Piçarra Photography

Aqui no Luxemburgo os festejos de Carnaval começam no dia 2 de fevereiro, com o Liichtmëssdag (Dia da Candelária), 40 dias depois do Natal e quando as crianças saem à rua com as suas lanternas, feitas por eles – vou falar sobre essa tradição noutro post à parte. Os festejos terminam, supostamente, na Äschermëttwoch, a quarta-feira de cinzas (dia a seguir ao dia de Carnaval), com a queima do Stréimännchen (um boneco de palha vestido de homem que leva uma carteira vazia e uma garrafa também vazia, para simbolizar os gastos durante o período carnavalesco e reparar as transgressões dos foliões) na vila de Remich, junto ao Rio Mosela. O boneco é levado para a ponte entre o Luxemburgo e a Alemanha e aqui é devidamente incendiado e depois atirado ao rio. O intuito é dispersar os espíritos do inverno e celebrar a chegada da primavera. A procissão que antecede a queima do Stréimännchen é acompanhada por bandas locais.

No entanto, para os luxemburgueses a festa não termina aqui. Até ao quarto domingo da Quaresma, ou Bretzelsonndeg, ou ainda 1/2 faaschten (meio da quaresma, em luxemburguês), continuam a haver bailes e desfiles de carnaval por esse país fora. Volta a ser em Remich a derradeira cavalcade (cavalgada) da época.

Copos entregues com a compra do bilhetes, by Me

Donuts distribuídos pela Cavalcade, by Me

Durante o desfile vão distribuindo vinho local para prova, by Me

Os confettis atirados a partir dos carros alegóricos, by Me

Após uma paragem de três anos, devido à pandemia Covid, a Cavalcade Réimech volta para a sua 35ª edição. O que é a Cavalcade? Em tradução direta é uma cavalgada, mas aqui não no sentido literal da palavra, porque a Cavalcade é um colorido desfile carnavalesco, repleto de grupos mascarados de igual, acompanhados de carros alegóricos dedicados ao tema do grupo. A festa começa na sexta-feira, dia 17 de março, após o horário laboral, e termina no dia 19 de março, com a Cavalcade e a festa que se segue. No final da Cavalcade é eleito o príncipe ou princesa da mesma.



Foto by Me

Foto by Sérgio Piçarra Photography

Foto by Sérgio Piçarra Photography

Foto by Sérgio Piçarra Photography

Foto by Sérgio Piçarra Photography

Foto by Sérgio Piçarra Photography

A entrada no recinto tem um custo de €5/pessoa e dá direito a um copo a ser utilizado durante o desfile, quando os participantes da Cavalcade distribuírem bebidas pela assistência (uma forma de poupar recursos e gastar menos plástico). Também são distribuídos doces (mais atirados do que distribuídos) pelas crianças (e adultos também 😋) que andam eufóricos e a competir entre si, para ver quem leva o saco mais cheio para casa 😂. É claro que os donuts na fotografia acima não foram atirados, mas sim distribuídos por quem quis experimentar (eram deliciosos 😁).


Data: 19 de março de 2023

* Todas as fotografias publicadas (e também o filme) foram tiradas por mim, com o telemóvel, e pelo Sérgio Piçarra Photography (o meu fotografo preferido 😍) com a sua super máquina Canon 60D!

terça-feira, 29 de março de 2022

Bienvenue au Luxembourg!

Grund, Ville Basse (2022), by Sérgio Piçarra Photography

Se nos perguntarem hoje qual a maior loucura que já cometemos, podemos dizer que foi mudar de país e pôr em quatro malas e duas mochilas o máximo de coisas possível, que nos permitissem começar uma vida num local novo, onde não conhecíamos ninguém.

Chegamos ao Aeroporto de Findel, na cidade do Luxemburgo, no passado dia 24 de fevereiro, por volta das 10h50 (mais uma hora que em Portugal). O aeroporto é pequeno (mas em obras para ser alargado para praticamente o triplo) e como trazíamos malas de porão ainda demoramos um bocadinho mais a sair, não que tivéssemos alguma pressa.

Para os primeiros dias na cidade, e no país, reservamos um quarto num hotel próximo ao aeroporto, já com pequeno-almoço incluído (hei de falar sobre o hotel noutro post). Foi aqui que nos dirigimos em primeiro lugar, porque não queríamos andar carregados com as malas no centro da cidade, enquanto andássemos a ver casas. E assim foi, primeira paragem Hotel Mandarina.

Check-in feito, malas guardadas, apanhamos autocarro para o centro da cidade (direto para a Gare de Luxembourg ou Gare Rocade) e demoramos cerca de 30 minutos no percurso. Chegados à gare foi perceber onde era a morada da primeira casa que íamos visitar, para nos situarmos, e depois procurar um local para comer, tentar contactar outras imobiliárias e perceber disponibilidade para possíveis visitas no mesmo dia ou no dia seguinte.

Que comece a busca intensiva por um espaço onde não tivéssemos de deixar um rim (ou dois) e que tivesse algumas condições que, para nós, eram essenciais: ter cozinha equipada, muita luz natural e ser virada a sul ou poente (ter sol a entrar em casa era um must have para mim e sim, eu sei que, não vim para um país maioritariamente de sol, mas por esse mesmo motivo queria precisava que quando ele existisse – o que tem acontecido quase todos os dias desde que chegamos – entrasse pelas janelas e me permitisse carregar as energias necessárias com a sua luz).

Fiquem por aí que, nos próximos posts, vamos contar-vos a aventura que é encontrar uma casa na cidade do Luxemburgo (e, do que percebemos, no país inteiro) e que nunca nos disseram (e sim, falamos com algumas pessoas, especialistas em emigração para o Luxemburgo).

À demain 😊

quinta-feira, 24 de março de 2022

Queridos… mudámos de casa! E de país!

 

Gëlle Fra - O Monumento da Lembrança (2022), by Me

Já há muito tempo que não escrevia no blogue, ou em qualquer outro lado, mas 2021 não foi um ano fácil (acho que para a generalidade das pessoas) e a vontade de escrever até era muita, mas ao mesmo tempo nenhuma (não sei se esta dualidade de “vontades” é percetível, às vezes nem eu percebo) e acabei por ir adiando todos os textos, de todas as viagens, que ainda quero escrever....um dia!

2021 trouxe-nos uma grande vontade de mudança, sem sabermos ao certo o que fazer ou como o fazer. Mudamos de trabalho, começamos a remodelação da casa da minha irmã (que está a ficar brutal, por sinal), fizemos uma viagem a Menorca, passamos duas semanas para o Algarve em outubro (com um tempo maravilhoso) e voltamos a ter novamente um agravamento da pandemia da Covid-19 (e de todo o stress associado a isso).

2021 foi uma montanha russa em sentimentos, em força de vontade, em decisões tomadas e indecisões, que nos levaram quase à loucura. Foi o ano em que decidimos casar (finalmente) e em que escolhemos realmente mudar de vida, mudar de casa e….mudar de país!

Sim é isso mesmo, resolvemos emigrar por tempo indeterminado! Descansem que não viemos “à maluca”, sem nada programado, porque o trabalho foi o primeiro ponto (e único, na realidade) a ser tratado. Depois disso foi a loucura sim!

Faz hoje, exatamente, um mês que começamos esta aventura e não podíamos deixar de registar a data e comemorá-la!

Por isso temos a dizer, por agora: Wëllkomm zu Lëtzebuerg! Bienvenue au Luxembourg! Welcome to Luxembourg!

(fiquem por aí que, espero eu, vou partilhar mais coisas desta aventura e deste país que, até agora, estamos a gostar imenso)

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Ilha Terceira: Algar do Carvão, Gruta do Natal e Furnas de Enxofre

As ilhas açorianas são de origem vulcânica e em todas elas podemos encontrar um largo conjuntos de formas, rochas, estruturas inigualáveis, oriundas de erupções ou outros fenómenos vulcânicos. Podemos encontrar desde caldeiras, a grutas e túneis lávicos, lagoas, entre muitas outras coisas. A Ilha Terceira não é exceção e aqui podemos visitar locais únicos no mundo e entrar em vulcões adormecidos, como o Algar do Carvão, a Gruta do Natal ou as Furnas de Enxofre.

O Algar do Carvão é um cone vulcânico (também chamado de túnel lávico), formado há cerca de 3200 anos, com 90m de profundidade e situado numa zona central da ilha Terceira, inserido na Reserva Florestal de Santa Bárbara. Tem origem na grande erupção do Pico Alto, que lançou lava a uma distância considerável. Posteriormente, outra erupção originou a formação de outro vulcão: o Pico do Carvão.

Algar do Carvão @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Algar do Carvão @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography

Situada no interior de um vulcão adormecido, esta chaminé vulcânica não se encontra obstruída (o que raramente acontece) e está coberta de vegetação. Por aqui, conseguimos ver a luz do dia e ouvir a chuva a cair. A 100m de profundidade existe uma lagoa, com fundura de cerca de 15m, alimentada pela água da chuva. Em anos de pouca chuva, durante o verão, esta lagoa fica praticamente seca. A água impregnada nas paredes também originam estalactites e estalagmites de opala, que podem atingir um metro de comprimento e 40 ou 50cm de diâmetro. São de uma beleza indescritível, além de formações raras em cavidades vulcânicas.

Algar do Carvão @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Algar do Carvão @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography

O espaço está a cargo da Associação Os Montanheiros e é visitável desde dezembro de 1968. O acesso é feito através de um túnel de 44m e escadaria com extensão de 300m (num total de 338 degraus), ambos em betão. A visita vale mesmo, mas mesmo, a pena.

Horário: 15h às 17h (2f, 4f e 6f) à Horário de Inverno // 15h às 17h (todos os dias) à Horário de Verão
Preço: €6/pessoa (Algar do Carvão) ou €9/pessoa (Algar do Carvão + Gruta do Natal)

A Gruta do Natal fica a cerca de 6Km do Algar do Carvão e inicialmente era conhecida como Galeria Negra ou Gruta do Cavalo. Ganhou o nome de Gruta do Natal porque foi lá realizada a missa de Natal a 25 de dezembro de 1969. Foi nessa data que a gruta foi aberta, pela primeira vez, à população em geral. Esta é a gruta, de todas as existentes na Ilha Terceira, que melhores condições de acesso oferece aos visitantes. É um tubo de lava com 697m de comprimento e em quase toda a gruta é possível andar de pé. Abriu ao público em junho de 1999. Em frente podemos encontrar a Lagoa do Negro, um bom local para piqueniques quando está bom tempo.

Lagoa do Negro @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Gruta do Natal @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Gruta do Natal @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Gruta do Natal @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography

Este local também está a cargo dos Montanheiros e a sua beleza não é igual à do Algar do Carvão, mas também vale a pena visitar.

Horário: 15h às 17h (2f, 4f e 6f) à Horário de Inverno // 15h às 17h (todos os dias) à Horário de Verão
Preço: €6/pessoa (Gruta do Natal) ou €9/pessoa (Algar do Carvão + Gruta do Natal)

Após a visita ao Algar do Carvão e à Gruta do Natal, aconselhamos também uma visita às Furnas de Enxofre.

As Furnas de Enxofre são um campo fumarólico existente na Ilha Terceira. São compostas essencialmente por vapor de água (cerca de 97%), com temperaturas na ordem dos 95º, e é uma área termal que resulta da libertação do vapor de água e de gases vulcânicos. Aqui existe um caminho feito em madeira, por onde podemos caminhar e observar os diversos locais onde são expelidos os vapores. Apesar do tempo mais cinzento, ainda conseguimos assistir a esta atividade. O acesso é gratuito e não tem horário uma vez que está aberto ao público. Aconselhamos a irem durante o dia para que consigam ver as fumarolas. Não me lembro de ter iluminação.

Furnas de Enxofre @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Furnas de Enxofre @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography

Furnas de Enxofre @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Furnas de Enxofre @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography



terça-feira, 16 de junho de 2020

Ilha da Madeira: a Pérola do Atlântico

Chegada à ilha @ Ilha da Madeira (2012), by Me

Em 2012, a nossa aventura aérea passou pela Ilha da Madeira. Em pleno boom dos sites de desconto, era normal aparecerem descontos realmente vantajosos para viagens (e não só), e nós recebíamos diariamente várias newsletters destes sites. Numa dessas newsletters encontrámos uma promoção para um hotel na Ilha Madeira, o Dorisol Mimosa, que achámos interessante. Após algumas pesquisas de voos e contactos com o hotel para confirmar disponibilidades de datas e valores cobrados, percebemos que era realmente uma excelente oferta e, em menos de 24 horas, comprámos os vouchers, marcámos as viagens de avião, alugámos o carro e marcámos férias.

Casas de Santana, Santana @ Ilha da Madeira (2012), by Me

A cerca de 970km de Lisboa, a Ilha da Madeira, é a ilha principal do arquipélago da Madeira (que também inclui Porto Santo, Ilhas Desertas e Ilhas Selvagens) e tem como cidade principal, e capital, o Funchal. É de origem vulcânica e tem cerca de 742km2 (53,90km de comprimento máximo, por 23km de largura). Com temperaturas médias de 20º durante todo o ano, o seu clima é tipicamente mediterrânico, mas também é possível apanhar dias mais frescos e até neve nas zonas mais elevadas da ilha.

Os portugueses chegaram à ilha da Madeira em julho de 1419, um ano depois da descoberta da Ilha de Porto Santo. Em 1425 foi iniciada a colonização e a partir de 1440 é estabelecido o regime de capitanias em Machico, tornando-se capitão Tristão Vaz Teixeira, um dos descobridores da ilha. No entanto, existem registos da ilha da Madeira anteriores à chegada dos portugueses, datados de 1348.
Com poucas praias de areia fina (a maioria são praias artificiais feitas com areia de Marrocos), nesta ilha encontramos três dos pontos mais altos do país: o Pico Ruivo, com 1861m de altitude, o Pico das Torres com 1853m e o Pico do Areeiro com 1818m.

A caminho do Pico Ruivo @ Ilha da Madeira (2012), by Me

Existem vários trilhos de caminhadas que unem estes três picos e que levam ao topo de cada um deles. O Pico das Torres fica entre o Pico Ruivo e o Pico do Areeiro e, este último é acessível de carro. A sua floresta do tipo Laurissilva foi classificada como Património da Humanidade, pela UNESCO, em 1999. Esta floresta contém diversas espécies endémicas e plantas trazidas pelos colonos. A banana e o maracujá são das variedades mais cultivadas nos solos da ilha.

Bananeira @ Ilha da Madeira (2012), by Me
Flor de Bananeira @ Ilha da Madeira (2012), by Me

Esta viagem foi feita em conjunto com um casal amigo e teve a duração de quatro dias, tempo que consideramos suficiente para conhecer o que a ilha nos oferece. Claro que se tiverem a oportunidade de ficar mais tempo, há sempre coisas para fazer e para ver. Fiquem por aí que vamos contar-vos o que vimos e fizemos ao longo da nossa estadia.


segunda-feira, 8 de junho de 2020

Tunísia: curiosidades e informações

Place de la Kasbah, Tunes @ Tunísia (2017), by Sérgio Piçarra Photography

Como escrevi aqui fomos à Tunísia em 2017, numa viagem comprada à CharmingTravel (agência de viagens) e organizada pela Travelplan (operador turístico). Como tinha passado pouco tempo após os atentados (2015) resolvemos fazer os nossos passeios pelo operador e tivemos muita sorte com o nosso guia turístico.

Desde que chegamos até ao último dia ele esteve sempre disponível para nos ajudar no que fosse necessário, contou-nos muito da história tunisina e partilhou connosco algumas curiosidades que vos deixo aqui:

  • Na Tunísia existem 11 milhões de habitantes e a maioria vive em Tunes, Sousse e Sfax;
  • 98% dos tunisinos são árabes muçulmanos, 1% são berberes muçulmanos e 1% cristãos e judeus árabes;
  • Djerba é um local santo para os judeus, está em 2º lugar depois de Jerusalém;
  • Segundo a religião Islâmica, todas as pessoas devem ir a Meca pelo menos uma vez na vida. Desta forma, o estado tunisino financia ou ajuda (não sabemos bem de que forma) as pessoas que não tenham capacidade de irem a Meca pelos seus próprios meios;
  • O estudo é obrigatório e gratuito desde 1957, dos 6 aos 16 anos;
  • 93% dos tunisinos sabe ler e escrever;
  • Depois da revolução em 2010 (a primavera Árabe – dezembro de 2010) grande parte das pessoas achou que ter liberdade significava não cumprir quaisquer regras. Isso fez com que, entre outras coisas, se veja imenso lixo espalhado pelas ruas (até ao momento ainda não se conseguiu controlar esta parte principalmente fora das grandes cidades);
  • O Ghassen (o nosso guia turístico) tinha uma boa vida antes da revolução em 2010. Tinha um negócio de turismo com loja aberta em Hammamet (onde também morava num apartamento com vista para a Marina) e fazia excursões e passeios para os turistas europeus. Tinha autocarros e jipes próprios. Com a revolução teve de vender tudo e entregar algumas coisas ao banco, porque deixou de haver turismo. Teve três anos desempregado antes de voltar a entrar novamente na área do turismo, desta vez através de operadores. Apesar de tudo, sente-se muito orgulhoso com a revolução e acredita que o futuro dos seus filhos vai ser melhor do que é o presente dele;
  • Antes da revolução, e dos atentados, a Tunísia era o país mais turístico de toda a África e de todo o mundo árabe, com cerca de 9 milhões de turistas por ano. Hoje em dia o turismo incide mais na altura do verão, fazendo com que, quem trabalha nesta área tenha trabalho praticamente só no verão;
  • As festas nacionais realizam-se a 14 de janeiro (penso que tem a ver com a Primavera Árabe e a fuga do Presidente da altura para a Arábia Saudita) e 20 de março (Dia da Independência);
  • O valor pago nas autoestradas na Tunísia é de €1 por cada 120Km;
  • €5000 dão para a classe média alta viver durante todo o ano;
  • Um apartamento em Tunes pode custar cerca de €20000;
  • Os tunisinos alugam as suas casas durante as férias, ficando em casa dos vizinhos ou familiares. Quase todos vivem do turismo, mesmo que de forma indireta;
  • Alguns vinhos tunisinos (tintos, brancos, rosés e moscatel) já ganharam prémios mundiais;
  • No inverno a temperatura no deserto é de 10’ durante o dia e -5’ durante a noite;
  • Em pleno verão a temperatura é de 45’ à sombra;
  • O Licor de Palmeira é mais forte que o whisky. É feito em três dias, não dá ressaca, mas dizem que dá diarreia;
  • Ramadão: tem uma duração de 29 ou 30 dias e tem a ver com o calendário lunar, o que faz com que a sua data altere todos os anos. É no nono mês do calendário islâmico. Durante o dia, entre o nascer e o por-do-sol, não é possível comer, beber, fumar, ou qualquer outra coisa. Normalmente, nesta fase uma parte dos tunisinos não trabalha porque vive durante a noite. Por norma, o tunisino gasta três vezes mais no mês do Ramadão, do que em todo o resto do ano;
  • Regateio: tudo tem de ser regateado, exceto em lojas onde o preço esteja afixado e, normalmente, o preço justo é cerca de 10 vezes menos do que aquele que nos é solicitado ao início. O nosso guia aconselhou-nos a questionarmos sempre o preço antes de comprarmos, fosse o que fosse.