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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Tradições Luxemburguesas: Cavalcade @ Esch-sur-Alzette 2024

De todas as tradições luxemburguesas que conhecemos até hoje, a que mais nos surpreendeu foi mesmo o Carnaval e as festas que estão associadas a esta festividade.

Quando falamos no Carnaval as primeiras coisas que pensamos são, provavelmente: calor e Brasil e, para os portugueses mais entusiastas desta época, o Carnaval de Torres Vedras.

No entanto, que se engane quem acha que os países mais a norte da Europa não ligam ao Carnaval ou que nem sequer o festejam. Festejam sim! E festejam em grande!

Cartaz Escher Fues Weekend, by Me

Este ano, 2024, aqui no Luxemburgo os festejos de Carnaval começaram no dia 2 de fevereiro, com o Liichtmëssdag (Dia da Candelária), 40 dias depois do Natal e quando as crianças saem à rua com as suas lanternas, feitas por eles – vou falar sobre essa tradição noutro post à parte. 

Os festejos de Carnaval terminam, supostamente, na Äschermëttwoch, a quarta-feira de cinzas (o dia a seguir ao dia de Carnaval), com a queima do Stréimännchen (um boneco de palha vestido de homem que leva uma carteira vazia e uma garrafa também vazia, para simbolizar os gastos durante o período carnavalesco e reparar as transgressões dos foliões) na vila de Remich, junto ao Rio Mosela - esta tradição vem desde 1821 e nos anos bissextos, como o é 2024, a personagem a queimar é um boneco vestido de mulher. O boneco é levado para a ponte entre o Luxemburgo e a Alemanha e aqui é devidamente incendiado e depois atirado ao rio. O intuito é dispersar os espíritos do inverno e celebrar a chegada da primavera. A procissão que antecede a queima do Stréimännchen é acompanhada por bandas locais.

No entanto, para os luxemburgueses a festa não termina aqui. Até ao quarto domingo da Quaresma, ou Bretzelsonndeg, ou ainda 1/2 faaschten (meio da quaresma, em luxemburguês), continuam a haver bailes e desfiles de carnaval por este país fora. Este ano, tanto a vila de Remich, como a vila de Pétange apresentam as últimas cavalcades (cavalgadas) da época.

O que é a Cavalcade? Em tradução direta é uma cavalgada, mas aqui não no sentido literal da palavra, porque a Cavalcade é um colorido desfile carnavalesco, repleto de grupos mascarados de igual, acompanhados de carros alegóricos dedicados ao tema do grupo. No final do desfile, são escolhidos os melhores carros e as melhores equipa, sendo oferecido um prémio aos primeiros lugares.

Esch-sur-Alzette, by Me
Esch-sur-Alzette, by Me














Tendo ido o ano passado a Remich e ficando surpreendidos pelo vimos e assistimos, este ano resolvemos ir assistir a outra cavalcade do país, em Esch-sur-Alzette.

Cavalcade, by Me

Cavalcade, by Me

Cavalcade, by Me

Cavalcade, by Me















Foi a 23ª Cavacalde a realizar-se na cidade de Esch-sur-Alzette e a festa teve a duração de três dias: começou na sexta-feira, dia 23 de fevereiro, às 21h00, e terminou no dia 25 de fevereiro, com a Cavalcade e a festa que se seguiu. 

Cavalcade, by Sérgio Piçarra Photography



Cavalcade, by Sérgio Piçarra Photography


Cavalcade, by Sérgio Piçarra Photography
Estes fins-de-semana carnavalescos são para as crianças e para os adultos, também. Se as festas dos graúdos são animadas por DJ's e bandas de música cover; as festas para os mais novos (e não só) são bailes de máscaras, os Kannerfuesbal, também animados por DJ's.





O fim dos festejos dá-se com a Cavalcade propriamente dita, com as ruas repletas de pessoas a participar e a assistir ao cortejo (onde passaram mais de 60 carros alegóricos) e à festa que se segue ao final do desfile.






Durante a Cavalcade os participantes vão distribuindo doces pelas crianças (e adultos) presentes, além de atirarem bastantes papelinhos à população, deixando com um manto feito de papel.*1





Ao contrário da Cavalcade de Remich (e outras), em Esch-sur-Alzette não se paga qualquer valor para assistir, exceto se quiserem participar das festas animadas pelos DJ's, onde a entrada já é paga.

Cavalcade, by Sérgio Piçarra Photography

Transformers na Cavalcade, by Sérgio Piçarra Photography

Transformers na Cavalcade, by Sérgio Piçarra Photography

O samba na Cavalcade também não podia faltar, by Sérgio Piçarra Photography


Data: 25 de fevereiro de 2024

* Todas as fotografias publicadas foram tiradas por mim, com o telemóvel, e pelo Sérgio Piçarra Photography (o meu fotografo preferido 😍) com a sua super máquina Canon 60D!

*1 No final do cortejo entram em cena os serviços municipais que começam a aspirar e limpar as ruas de todo o lixo que possa ter ficado espalhado durante o desfile. Isto tem acontecido em todos os eventos realizados pelo país fora e a que nós temos assistido.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Tradições Luxemburguesas: Buergbrennen 2024

O Buergbrennen é um evento que acontece anualmente no primeiro domingo a seguir ao Carnaval, o primeiro domingo da Quaresma, e significa “Castelo em Chamas”. 

A "Cruz" de Bonnevoie, by Me

Neste post, de 2023, explicamos um pouco sobre esta tradição secular, mas fica aqui novamente um pequeno resumo para quem não leu. 

Esta tradição luxemburguesa, de origem pagã, simboliza a despedida do inverno e as boas vindas à primavera. Aqui “acende-se” uma grande fogueira para afastar a estação fria, fogueira essa feita com bocados de madeira, palha, árvores de natal velhas e outros materiais inflamáveis. Mas não pensem que é uma “simples” fogueira, porque não é. É algo pensado e construído por uma organização da vila/aldeia. Em muitos casos, são verdadeiras construções como castelos, tanto em comprimento como em altura. Ainda antes do buerg (castelo) ser incendiado, acontece uma pequena procissão com tochas (fazelzuch, em luxemburguês) pela vila até ao local onde se encontra a construção a queimar - esta procissão não acontece sempre, nem em todos os locais.

Realizado em quase todas as vilas do país, este evento junta a população em torno de uma pequena festa, onde os comes e bebes tradicionais não faltam, como bouneschlupp (sopa de feijão verde), Ierzebulli (sopa de ervilhas) ou Glühwäin (vinho quente). 

Hoje em dia, não acontece apenas ao domingo, mas também ao sábado, dependendo do local e para que todos possam participar em várias localidades. Se o ano passado, o ano do nosso primeiro Buergbrennen, fomos ver o maior Buergbrennen realizado no país, este ano decidimos ficar pela localidade onde moramos e ver a construção do "nosso" bairro. Aqui quem realiza o evento são os Escuteiros também do bairro e pela Fanfarra Municipal. 

Os escuteiros e as tochas, by Sérgio Piçarra Photography

Começa o "incêndio", by Me

O início da queima do castelo estava marcado para as 19h15 e quando lá chegamos antes disso já havia muita gente. Barraquinhas de comida e bebida junto à cruz, feita com paletes e outros materiais inflamáveis; famílias e amigos em plena confraternização e as pessoas a instalarem-se em locais de onde pudessem ter a melhor vista e tirar as melhores fotografias. Toda a festa foi acompanhada com música de fundo, tocada pela Fanfarra Municipal, para ajudar o tempo de espera a passar. 

Às 19h30 o fogo é ateado, após uma pequena procissão feita pelos escuteiros (costuma haver uma procissão maior, que vai desde a igreja do nosso bairro até ao local onde se dá o buergbrennen, mas este ano não foi realizada) e o incêndio da cruz começa. A partir daí foi esperar que toda a construção pegasse fogo, com as pessoas (nós incluídos) maravilhadas a olhar para aquele espetáculo (há alguma coisa no fogo que se torna hipnotizante e que nos prende ali a olhar como se nunca tivéssemos visto uma fogueira a arder). 

A "cruz" totalmente em chamas, by Me
A "cruz" totalmente em chamas, by Me























Ao fim de quase uma hora, a cruz já estava praticamente queimada e a população começou a deixar o recinto. Apesar de estar praticamente queimada quando nos viemos embora, ao chegarmos a casa, ainda conseguíamos ver ao longe algumas chamas e sentir o cheiro a queimado (acho que o cheiro andou no ar todo o fim-de-semana devido à quantidade de "fogos" que houve no país). É um espetáculo bonito de se ver e uma tradição que a população teima em manter e em passar aos mais novos (o que pessoalmente acho muito bem), para que os costumes não se evaporem com o tempo.

A "cruz" a arder, by Sérgio Piçarra Photography

A "cruz" a arder, by Sérgio Piçarra Photography

Este evento junta as famílias, os amigos, os habitantes locais e os vizinhos de outras localidades. Traz a esperança de dias mais amenos, mais longos (que já se notam bem) e com mais horas de luz. Traz-nos a esperança do renascimento de novos dias e de uma nova estação.

A "cruz" a arder, by Sérgio Piçarra Photography

A "cruz" a arder, by Sérgio Piçarra Photography

A "cruz" a arder, by Sérgio Piçarra Photography

Data: 17 de fevereiro de 2024

* Todas as fotografias publicadas foram tiradas por mim, com o telemóvel, e pelo Sérgio Piçarra Photography (o meu fotografo preferido 😍)!

segunda-feira, 6 de março de 2023

Tradições Luxemburguesas: Buergbrennen

O Buergbrennen é um evento que acontece anualmente no primeiro domingo a seguir ao Carnaval, o primeiro domingo da Quaresma, e significa “Castelo em Chamas”. 

O "Castelo" de Niederanven, by Sérgio Piçarra Photography

Esta tradição luxemburguesa, de origem pagã, simboliza a despedida do inverno e as boas vindas à primavera. Aqui “acende-se” uma grande fogueira para afastar a estação fria, fogueira essa feita com bocados de madeira, palha, árvores de natal velhas e outros materiais inflamáveis. E não pensem que é uma “simples” fogueira, porque não é. É algo pensado e construído por uma organização da vila/aldeia. Em muitos casos, são verdadeiras construções como castelos, tanto em comprimento como em altura. Ainda antes do buerg (castelo) ser inflamado, acontece uma pequena procissão com tochas (fazelzuch, em luxemburguês) pela vila até ao local onde se encontra a construção a incendiar. 

Realizado em quase todas as vilas do país, este evento junta a população em torno de uma pequena festa, onde os comes e bebes tradicionais não faltam, como bouneschlupp (sopa de feijão verde), Ierzebulli (sopa de ervilhas) ou Glühwäin (vinho quente). 

Hoje em dia, não acontece apenas ao domingo, mas também ao sábado, dependendo do local e para que todos possam participar em várias localidades. Em alguns dos locais, aqueles que levam a tradição mais a peito, cabe ao casal casado há menos tempo a honra de acender a fogueira ou ao casal que irá trocar os votos de casamento a seguir. 

Foi o nosso primeiro Buergbrennen, embora o ano passado (em 2022) já cá estivéssemos nessa altura, e decidimos ir ver aquela que (do que vimos online a nível de fotografias) é a maior construção para queimar neste evento, em Niederanven. Aqui, num recinto aberto e enorme, foi construído um grande castelo, com troncos e paletes. O início da queima do castelo estava marcado para as 19h30, mas já havia muita gente muito antes disso. Barraquinhas de comida e bebida nas duas pontas do recinto, famílias e amigos em plena confraternização e as pessoas a instalarem-se em locais de onde pudessem ter a melhor vista e tirar as melhores fotografias. Todo este processo acompanhado com música de fundo, para ajudar o tempo de espera a passar. 

A primeira "bomba" rebenta, by Sérgio Piçarra Photography

19h30 em ponto rebenta a primeira “bomba” e o incêndio do castelo começa. A partir daí foi esperar que todo o castelo pegasse fogo, as pessoas ficassem maravilhadas a olhar para aquele espetáculo (por algum motivo o fogo é algo hipnotizante e que nos prende ali) e a soltarem gritinhos de alegria enquanto se ouvia o crepitar da lenha. Só ao fim de uma hora é que as pessoas começaram a ir embora do recinto, como nós, não sem antes parar duas e três vezes pelo caminho e olhar para trás, para ver o espetáculo que estava ainda a acontecer. 

O "Castelo" totalmente em chamas, by Sérgio Piçarra Photography

O "Castelo" totalmente em chamas, by Sérgio Piçarra Photography

Um espetáculo bonito e uma tradição que a população de todo o país teima em manter e em passar aos mais novos, para que os costumes não se evaporem com o tempo. É um evento que junta famílias, amigos, habitantes locais e vizinhos de outras localidades. É um evento que trás a esperança de dias mais amenos e mais longos e com mais horas de luz. E tal como uma fénix renasce das suas próprias cinzas, esta festa traz-nos a esperança do renascimento de novos dias e de uma nova estação. 

A população a assistir, by Sérgio Piçarra Photography

Em busca dos melhores lugares e da melhor foto, by Sérgio Piçarra Photography

Datas: 25 & 26 de fevereiro de 2023

quinta-feira, 24 de março de 2022

Queridos… mudámos de casa! E de país!

 

Gëlle Fra - O Monumento da Lembrança (2022), by Me

Já há muito tempo que não escrevia no blogue, ou em qualquer outro lado, mas 2021 não foi um ano fácil (acho que para a generalidade das pessoas) e a vontade de escrever até era muita, mas ao mesmo tempo nenhuma (não sei se esta dualidade de “vontades” é percetível, às vezes nem eu percebo) e acabei por ir adiando todos os textos, de todas as viagens, que ainda quero escrever....um dia!

2021 trouxe-nos uma grande vontade de mudança, sem sabermos ao certo o que fazer ou como o fazer. Mudamos de trabalho, começamos a remodelação da casa da minha irmã (que está a ficar brutal, por sinal), fizemos uma viagem a Menorca, passamos duas semanas para o Algarve em outubro (com um tempo maravilhoso) e voltamos a ter novamente um agravamento da pandemia da Covid-19 (e de todo o stress associado a isso).

2021 foi uma montanha russa em sentimentos, em força de vontade, em decisões tomadas e indecisões, que nos levaram quase à loucura. Foi o ano em que decidimos casar (finalmente) e em que escolhemos realmente mudar de vida, mudar de casa e….mudar de país!

Sim é isso mesmo, resolvemos emigrar por tempo indeterminado! Descansem que não viemos “à maluca”, sem nada programado, porque o trabalho foi o primeiro ponto (e único, na realidade) a ser tratado. Depois disso foi a loucura sim!

Faz hoje, exatamente, um mês que começamos esta aventura e não podíamos deixar de registar a data e comemorá-la!

Por isso temos a dizer, por agora: Wëllkomm zu Lëtzebuerg! Bienvenue au Luxembourg! Welcome to Luxembourg!

(fiquem por aí que, espero eu, vou partilhar mais coisas desta aventura e deste país que, até agora, estamos a gostar imenso)

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Farol do Bugio: o Forte à entrada do Rio Tejo

Já há muito tempo que andávamos a pensar em fazer uma visita ao Farol do Bugio mas após umas pesquisas sobre o assunto, percebemos que visitá-lo não era algo assim tão fácil. Poderíamos alugar um barco, ou comprar um passeio numa empresa de turismo, mas isso significaria ir de barco até ao farol, dar a volta ao mesmo e regressar a terra sem percorrer o seu interior. Conseguimos perceber que anualmente, durante duas manhãs, a Associação Espaço Memória, em parceria com a junta de freguesia da zona e a empresa Water X, para as viagens, realiza um passeio de barco ao farol mas com possibilidade de entrada no interior do mesmo. A visita é acompanhada por Joaquim Boiça, presidente da Associação, historiador e especialista em fortes e faróis de Portugal.

Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography 

Em 2016 quando percebemos as datas disponíveis (30 de julho e 6 de agosto – da parte da manhã), resolvemos entrar em contacto com a União de Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, e perceber como podíamos fazer a inscrição: esta foi feita através de email, com indicação do número (e nomes) de pessoas a inscrever, o dia escolhido e o horário que pretendíamos. Posteriormente dirigimos-nos às instalações da junta para confirmar a inscrição, efetuar o pagamento e garantir a nossa vaga no passeio. Após o pagamento informaram-nos das horas a que deveríamos estar no cais de embarque do Porto de Recreio de Oeiras.

Preço: €25/pessoa

As visitas são feitas apenas da parte da manhã (creio que tem a ver com autorizações da marinha e os horários das marés) e os embarques de hora em hora. Antes da hora combinada estávamos no local, confirmamos que os nossos nomes estavam na lista, deram-nos uma t-shirt com o nome do evento e indicação do nome da empresa que ia fazer o transporte entre o cais e o farol, e vice-versa, e lá fomos nós para a porta que nos ia levar até ao barco semirrígido e daqui até ao Farol do Bugio. Apesar do tempo cinzento o rio estava relativamente calmo e a viagem foi pacífica, tanto na ida como no regresso.

Os semirrígidos que nos transportaram ao Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography 
O Farol ao fundo (2016), by Sérgio Piçarra Piçarra Photography
Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography

Ao chegar ao farol, desembarcamos, fomos em direção ao seu interior e aguardamos que a visita anterior fosse terminada, para dar início à nossa. O passeio vale a pena pela história do local, pelo sítio em si (embora o seu interior se encontre bastante degradado), pela vista sobre a cidade de Lisboa noutra perspetiva e por estarmos no meio do rio Tejo, num edifício que em tempos serviu para proteger a cidade contra invasões e ataques de outros povos e para alumiar quem vinha (e ainda vem) por bem. O nosso guia tinha um conhecimento profundo sobre este local, ou não fosse ele filho, neto e bisneto de faroleiros e ter passado uma parte da sua vida neste farol, enquanto o seu pai foi faroleiro e ali esteve de serviço.

Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Terraço do Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Vistas do Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography

Conselho: pelo que percebemos é sempre bom tentar ir nos primeiros grupos porque a conversa é como as cerejas e as visitas têm tendência a atrasar-se, ou porque demoram um pouco mais na explicação ou a responder a dúvidas e questões que os visitantes possam ter, ou porque depois das visitas as pessoas gostam de dar uma volta por lá e tirar umas fotos e isso faz com que o barco se atrase para trazer o grupo seguinte. A partir de certa altura já não percebemos quem é ou não do nosso grupo e o que interessa é encher o barco para o regresso ao cais de embarque. Quanto mais tarde chegarem ao farol, menos tempo têm para aproveitar o passeio e as explicações, porque a partir de certa hora é necessário mesmo voltar a terra por causa das marés.

Um pouco da história do Farol do Bugio ou Forte de São Lourenço da Cabeça Seca

Localizado a meio da foz do Rio Tejo, entre a Trafaria e Oeiras, começou a ser construído no início do século XVI com o intuito de proteger o acesso à cidade de Lisboa através do rio. A construção inicial foi toda em madeira, erguida também em estacas do mesmo material, mas devido à instabilidade do banco de areia onde estava construído, à ação das correntes e das marés e a fragilidade do material de construção, fez com que a sua durabilidade fosse comprometida. No reinado de D. Filipe I começou a construção do farol em pedra e no reinado de D. João IV a obra passou a ser comandada por portugueses, tendo sido concluída a construção em 1657.

Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Sendo visto bem ao longe o Bugio tem uma base circular com 62 metros de diâmetro por seis metros de altura. O forte em si tem 33 metros de diâmetro por sete de altura. É composto por dois pisos separados por uma moldura, pelos quais se distribuem oito divisões onde, em 1820, se albergaram 50 soldados, tenentes e sargentos, destacados na época para defender a costa da cidade de Lisboa.

Tem ainda uma capela, situada no primeiro piso, que em tempos foi ponto de romarias religiosas e pagamentos de promessas. Hoje em dia, embora ainda se consigam visualizar algumas características do seu tempo de construção, como o mármore incrustado entre tetos e paredes forradas a madeira, vê-se muito mais a degradação e desgaste do tempo.

Capela do Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
No centro da Praça de Armas vê-se erguido o farol, que se encontra ligado ao terraço por três arcos em pedra e com um varandim de ferro, ao qual se pode aceder pelo terraço.

Praça de Armas do Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Vista para a Praça de Armas do Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography

Com o interesse militar reduzido em 1945 o forte foi desarmado, ficando apenas como sinalizador marítimo. Passou a ser imóvel de interesse público em 1957, sofrendo, ao longo dos anos seguintes, de algumas intervenções de consolidação, reparo e conservação. As últimas obras foram entre 1996 e 2000 após a queda de algumas paredes exteriores, ficando apenas as pedras originais, mandadas colocar por D. João IV, na parte que está protegida das ondas e das tempestades.

Hoje em dia serve de farol de apoio à navegação.

Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography

Nota: O valor indicado é referente a 2016. Deverá sempre confirmar com a Associação ou com a Junta de Freguesia o valor atual.


segunda-feira, 25 de maio de 2020

Mudar o mundo: uma pessoa de cada vez #2

Imagem retirada da internet


Quase um mês depois de Portugal (e uma boa parte da Europa) começar a desconfinar e a libertar-se  (pelo menos teoricamente) da pandemia, está a deixar-se lentamente o tele-trabalho e muitos começam a regressar (ou a preparar o regresso) aos escritórios. Cá por casa continuamos, e continuaremos, em tele-trabalho, por mais uns tempos. 

Com o desconfinamento chegou também o calor e a vontade das pessoas saírem de casa (vê-se muito mais gente nas ruas e nas estradas, ou é impressão minha?), apanharem ar e banhos de sol (estamos na altura em que a praia começa a chamar por nós, verdade?). Confesso que ainda não tenho coragem de me enfiar em sítios com muita gente, mesmo que ao ar livre. As nossas saídas continuam a cingir-se aos mínimos, como ir às compras, caminhadas pela urbanização e pouco mais que isso. 

Compreendo que as pessoas se sintam cansadas de estar fechadas, presas entre quatro paredes, muitas sem varandas onde apanhar um pouco de sol, e precisem de sentir que a normalidade está a voltar às suas vidas. No entanto, a pandemia ainda não passou. Estamos bem, mas a ficar longe do que alcançamos durante os Estados de Emergência e respetivos confinamentos. E se continuarmos assim, em breve, poderemos estar a ser obrigados a ficar em casa novamente...e, desta vez, no verão. 

Por isso, tenham cuidado. Não se exponham desnecessariamente e lembrem-se que é só mais um esforço (ainda que para muitos isso pareça ser pedir muito). Todos temos a responsabilidade de nos proteger a nós e, por consequência, aos outros. Como alguém já disse: "temos de ser polícias de nós próprios".

Como nunca é demais relembrar, deixo-vos as recomendações da DGS (Direção Geral de Saúde) para as idas à praia, mesmo que a época balnear só se inicie a 6 de junho.




segunda-feira, 4 de maio de 2020

A sabedoria dos dias de hoje 📚

Pôr-do-Sol @ Quinta da Lagoalva de Cima, Alpiarça (2019), by Me

Acho que todos nós, de vez em quando, provocados por situações mais ou menos boas – normalmente as menos boas ganham sempre vantagem –, somos atacados por pensamentos que nos levam a refletir se alteraríamos alguma coisa nas nossas vidas se pudéssemos voltar atrás no tempo. Normalmente estas ideias prendem-se mais com as coisas que dizemos (ou não), o trabalho, a família ou amigos, mas existem tantas outras que metemos em perspectiva ou que nos arrependemos ou pensamos “se eu tivesse feito desta forma!”. Claro que cada pessoa é diferente e não pensamos/julgamos todos de igual modo. Há pessoas que se calhar não ligam tanto ao passado ou ao que podiam, ou não, ter feito. A mim, de vez em quando, assolam-me esses pensamentos.

Confesso que o ano de 2019, pelos mais variados motivos que não interessam agora para aqui, me trouxeram n vezes essa reflexão. “Se soubesse isto quando tinha 20 anos, as coisas teriam sido diferentes”, foi um pensamento que me assolou muitas vezes em 2019. Mas será que teriam mesmo? Acho que muitas vezes pensamos que a sabedoria dos dias de hoje nos traria vantagens em mais novos, mas nem sempre é assim. Acho que o facto de envelhecermos e termos cometido erros ou termos feito as coisas de outra forma, faz com que hoje em dia também olhemos para as coisas de maneira diferente. Faz-nos ver com quem realmente pudemos contar (e continuamos a poder), quem deu os melhores conselhos, quem ajudou quando houve necessidade, quem esteve sempre lá quando foi essencial. Também nos faz olhar para o quanto crescemos (e aprendemos, na maioria das vezes) com os erros, com as coisas menos boas, com as decisões melhores ou piores. 

Mas não nos podemos esquecer que foram as vicissitudes da vida que nos trouxeram até aos dias que correm, que nos fizeram ser quem somos e a estar onde estamos. Acho que se pudesse dar um conselho há minha pessoa de há 20 anos apenas diria: arrisca mais, luta mais pelo que queres e não tenhas medo. E tu? Que conselho davas a ti próprio?


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