sexta-feira, 19 de junho de 2020

Ilha Terceira: Algar do Carvão, Gruta do Natal e Furnas de Enxofre

As ilhas açorianas são de origem vulcânica e em todas elas podemos encontrar um largo conjuntos de formas, rochas, estruturas inigualáveis, oriundas de erupções ou outros fenómenos vulcânicos. Podemos encontrar desde caldeiras, a grutas e túneis lávicos, lagoas, entre muitas outras coisas. A Ilha Terceira não é exceção e aqui podemos visitar locais únicos no mundo e entrar em vulcões adormecidos, como o Algar do Carvão, a Gruta do Natal ou as Furnas de Enxofre.

O Algar do Carvão é um cone vulcânico (também chamado de túnel lávico), formado há cerca de 3200 anos, com 90m de profundidade e situado numa zona central da ilha Terceira, inserido na Reserva Florestal de Santa Bárbara. Tem origem na grande erupção do Pico Alto, que lançou lava a uma distância considerável. Posteriormente, outra erupção originou a formação de outro vulcão: o Pico do Carvão.

Algar do Carvão @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Algar do Carvão @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography

Situada no interior de um vulcão adormecido, esta chaminé vulcânica não se encontra obstruída (o que raramente acontece) e está coberta de vegetação. Por aqui, conseguimos ver a luz do dia e ouvir a chuva a cair. A 100m de profundidade existe uma lagoa, com fundura de cerca de 15m, alimentada pela água da chuva. Em anos de pouca chuva, durante o verão, esta lagoa fica praticamente seca. A água impregnada nas paredes também originam estalactites e estalagmites de opala, que podem atingir um metro de comprimento e 40 ou 50cm de diâmetro. São de uma beleza indescritível, além de formações raras em cavidades vulcânicas.

Algar do Carvão @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Algar do Carvão @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography

O espaço está a cargo da Associação Os Montanheiros e é visitável desde dezembro de 1968. O acesso é feito através de um túnel de 44m e escadaria com extensão de 300m (num total de 338 degraus), ambos em betão. A visita vale mesmo, mas mesmo, a pena.

Horário: 15h às 17h (2f, 4f e 6f) à Horário de Inverno // 15h às 17h (todos os dias) à Horário de Verão
Preço: €6/pessoa (Algar do Carvão) ou €9/pessoa (Algar do Carvão + Gruta do Natal)

A Gruta do Natal fica a cerca de 6Km do Algar do Carvão e inicialmente era conhecida como Galeria Negra ou Gruta do Cavalo. Ganhou o nome de Gruta do Natal porque foi lá realizada a missa de Natal a 25 de dezembro de 1969. Foi nessa data que a gruta foi aberta, pela primeira vez, à população em geral. Esta é a gruta, de todas as existentes na Ilha Terceira, que melhores condições de acesso oferece aos visitantes. É um tubo de lava com 697m de comprimento e em quase toda a gruta é possível andar de pé. Abriu ao público em junho de 1999. Em frente podemos encontrar a Lagoa do Negro, um bom local para piqueniques quando está bom tempo.

Lagoa do Negro @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Gruta do Natal @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Gruta do Natal @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Gruta do Natal @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography

Este local também está a cargo dos Montanheiros e a sua beleza não é igual à do Algar do Carvão, mas também vale a pena visitar.

Horário: 15h às 17h (2f, 4f e 6f) à Horário de Inverno // 15h às 17h (todos os dias) à Horário de Verão
Preço: €6/pessoa (Gruta do Natal) ou €9/pessoa (Algar do Carvão + Gruta do Natal)

Após a visita ao Algar do Carvão e à Gruta do Natal, aconselhamos também uma visita às Furnas de Enxofre.

As Furnas de Enxofre são um campo fumarólico existente na Ilha Terceira. São compostas essencialmente por vapor de água (cerca de 97%), com temperaturas na ordem dos 95º, e é uma área termal que resulta da libertação do vapor de água e de gases vulcânicos. Aqui existe um caminho feito em madeira, por onde podemos caminhar e observar os diversos locais onde são expelidos os vapores. Apesar do tempo mais cinzento, ainda conseguimos assistir a esta atividade. O acesso é gratuito e não tem horário uma vez que está aberto ao público. Aconselhamos a irem durante o dia para que consigam ver as fumarolas. Não me lembro de ter iluminação.

Furnas de Enxofre @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Furnas de Enxofre @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography

Furnas de Enxofre @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography
Furnas de Enxofre @ Ilha Terceira (2017), by Sérgio Piçarra Photography



terça-feira, 16 de junho de 2020

Ilha da Madeira: a Pérola do Atlântico

Chegada à ilha @ Ilha da Madeira (2012), by Me

Em 2012, a nossa aventura aérea passou pela Ilha da Madeira. Em pleno boom dos sites de desconto, era normal aparecerem descontos realmente vantajosos para viagens (e não só), e nós recebíamos diariamente várias newsletters destes sites. Numa dessas newsletters encontrámos uma promoção para um hotel na Ilha Madeira, o Dorisol Mimosa, que achámos interessante. Após algumas pesquisas de voos e contactos com o hotel para confirmar disponibilidades de datas e valores cobrados, percebemos que era realmente uma excelente oferta e, em menos de 24 horas, comprámos os vouchers, marcámos as viagens de avião, alugámos o carro e marcámos férias.

Casas de Santana, Santana @ Ilha da Madeira (2012), by Me

A cerca de 970km de Lisboa, a Ilha da Madeira, é a ilha principal do arquipélago da Madeira (que também inclui Porto Santo, Ilhas Desertas e Ilhas Selvagens) e tem como cidade principal, e capital, o Funchal. É de origem vulcânica e tem cerca de 742km2 (53,90km de comprimento máximo, por 23km de largura). Com temperaturas médias de 20º durante todo o ano, o seu clima é tipicamente mediterrânico, mas também é possível apanhar dias mais frescos e até neve nas zonas mais elevadas da ilha.

Os portugueses chegaram à ilha da Madeira em julho de 1419, um ano depois da descoberta da Ilha de Porto Santo. Em 1425 foi iniciada a colonização e a partir de 1440 é estabelecido o regime de capitanias em Machico, tornando-se capitão Tristão Vaz Teixeira, um dos descobridores da ilha. No entanto, existem registos da ilha da Madeira anteriores à chegada dos portugueses, datados de 1348.
Com poucas praias de areia fina (a maioria são praias artificiais feitas com areia de Marrocos), nesta ilha encontramos três dos pontos mais altos do país: o Pico Ruivo, com 1861m de altitude, o Pico das Torres com 1853m e o Pico do Areeiro com 1818m.

A caminho do Pico Ruivo @ Ilha da Madeira (2012), by Me

Existem vários trilhos de caminhadas que unem estes três picos e que levam ao topo de cada um deles. O Pico das Torres fica entre o Pico Ruivo e o Pico do Areeiro e, este último é acessível de carro. A sua floresta do tipo Laurissilva foi classificada como Património da Humanidade, pela UNESCO, em 1999. Esta floresta contém diversas espécies endémicas e plantas trazidas pelos colonos. A banana e o maracujá são das variedades mais cultivadas nos solos da ilha.

Bananeira @ Ilha da Madeira (2012), by Me
Flor de Bananeira @ Ilha da Madeira (2012), by Me

Esta viagem foi feita em conjunto com um casal amigo e teve a duração de quatro dias, tempo que consideramos suficiente para conhecer o que a ilha nos oferece. Claro que se tiverem a oportunidade de ficar mais tempo, há sempre coisas para fazer e para ver. Fiquem por aí que vamos contar-vos o que vimos e fizemos ao longo da nossa estadia.


segunda-feira, 8 de junho de 2020

Tunísia: curiosidades e informações

Place de la Kasbah, Tunes @ Tunísia (2017), by Sérgio Piçarra Photography

Como escrevi aqui fomos à Tunísia em 2017, numa viagem comprada à CharmingTravel (agência de viagens) e organizada pela Travelplan (operador turístico). Como tinha passado pouco tempo após os atentados (2015) resolvemos fazer os nossos passeios pelo operador e tivemos muita sorte com o nosso guia turístico.

Desde que chegamos até ao último dia ele esteve sempre disponível para nos ajudar no que fosse necessário, contou-nos muito da história tunisina e partilhou connosco algumas curiosidades que vos deixo aqui:

  • Na Tunísia existem 11 milhões de habitantes e a maioria vive em Tunes, Sousse e Sfax;
  • 98% dos tunisinos são árabes muçulmanos, 1% são berberes muçulmanos e 1% cristãos e judeus árabes;
  • Djerba é um local santo para os judeus, está em 2º lugar depois de Jerusalém;
  • Segundo a religião Islâmica, todas as pessoas devem ir a Meca pelo menos uma vez na vida. Desta forma, o estado tunisino financia ou ajuda (não sabemos bem de que forma) as pessoas que não tenham capacidade de irem a Meca pelos seus próprios meios;
  • O estudo é obrigatório e gratuito desde 1957, dos 6 aos 16 anos;
  • 93% dos tunisinos sabe ler e escrever;
  • Depois da revolução em 2010 (a primavera Árabe – dezembro de 2010) grande parte das pessoas achou que ter liberdade significava não cumprir quaisquer regras. Isso fez com que, entre outras coisas, se veja imenso lixo espalhado pelas ruas (até ao momento ainda não se conseguiu controlar esta parte principalmente fora das grandes cidades);
  • O Ghassen (o nosso guia turístico) tinha uma boa vida antes da revolução em 2010. Tinha um negócio de turismo com loja aberta em Hammamet (onde também morava num apartamento com vista para a Marina) e fazia excursões e passeios para os turistas europeus. Tinha autocarros e jipes próprios. Com a revolução teve de vender tudo e entregar algumas coisas ao banco, porque deixou de haver turismo. Teve três anos desempregado antes de voltar a entrar novamente na área do turismo, desta vez através de operadores. Apesar de tudo, sente-se muito orgulhoso com a revolução e acredita que o futuro dos seus filhos vai ser melhor do que é o presente dele;
  • Antes da revolução, e dos atentados, a Tunísia era o país mais turístico de toda a África e de todo o mundo árabe, com cerca de 9 milhões de turistas por ano. Hoje em dia o turismo incide mais na altura do verão, fazendo com que, quem trabalha nesta área tenha trabalho praticamente só no verão;
  • As festas nacionais realizam-se a 14 de janeiro (penso que tem a ver com a Primavera Árabe e a fuga do Presidente da altura para a Arábia Saudita) e 20 de março (Dia da Independência);
  • O valor pago nas autoestradas na Tunísia é de €1 por cada 120Km;
  • €5000 dão para a classe média alta viver durante todo o ano;
  • Um apartamento em Tunes pode custar cerca de €20000;
  • Os tunisinos alugam as suas casas durante as férias, ficando em casa dos vizinhos ou familiares. Quase todos vivem do turismo, mesmo que de forma indireta;
  • Alguns vinhos tunisinos (tintos, brancos, rosés e moscatel) já ganharam prémios mundiais;
  • No inverno a temperatura no deserto é de 10’ durante o dia e -5’ durante a noite;
  • Em pleno verão a temperatura é de 45’ à sombra;
  • O Licor de Palmeira é mais forte que o whisky. É feito em três dias, não dá ressaca, mas dizem que dá diarreia;
  • Ramadão: tem uma duração de 29 ou 30 dias e tem a ver com o calendário lunar, o que faz com que a sua data altere todos os anos. É no nono mês do calendário islâmico. Durante o dia, entre o nascer e o por-do-sol, não é possível comer, beber, fumar, ou qualquer outra coisa. Normalmente, nesta fase uma parte dos tunisinos não trabalha porque vive durante a noite. Por norma, o tunisino gasta três vezes mais no mês do Ramadão, do que em todo o resto do ano;
  • Regateio: tudo tem de ser regateado, exceto em lojas onde o preço esteja afixado e, normalmente, o preço justo é cerca de 10 vezes menos do que aquele que nos é solicitado ao início. O nosso guia aconselhou-nos a questionarmos sempre o preço antes de comprarmos, fosse o que fosse.



Tunísia: o Reino Cartaginense


Embora várias vezes tivéssemos falado sobre conhecer a Tunísia, após os atentados de 2015 foi algo em que nunca mais pensámos. Até que chegou 2017 (o nosso ano de viagens). À procura de uma viagem onde pudéssemos descansar, fazer praia e usufruir de uma parte mais cultural, e de encontrarmos preços absurdos para as ilhas espanholas, resolvemos pedir preços (em várias agências) para este destino. Os preços que nos apresentaram foram bastante simpáticos e menos de 10 dias antes das nossas férias, marcamos viagem (acho que nunca marcamos uma viagem tão em cima da  hora 😂).

À porta do Coliseu El Jem @ Tunísia (2017), by Sérgio Piçarra Photography  

Nesses 10 dias fiz muitas pesquisas sobre a situação do país, o que poderíamos conhecer, as excursões que poderíamos fazer, entre muitas outras coisas. Sendo 2017 o ano de reabertura da Tunísia ao turismo (pelo menos a partir de Portugal) decidimos que todos os passeios que fizéssemos seriam sempre pelo operador turístico. Era uma garantia de que tudo poderia correr bem – e não nos enganamos.

Situada no norte de África e pertencente à região do Magrebe (que inclui outros países como Argélia, Marrocos, Líbia, Mauritânia e Saara Ocidental), a Tunísia tem 40% do seu território ocupado pelo Deserto do Saara e a sua capital é Tunes. Tendo sido inicialmente habitada por tribos berberes, foi colonizada pelos Fenícios por volta do século XII a.C e tornou-se berço da civilização cartaginense, que atingiu o seu auge no século III a.C., tendo a cidade de Cartago sido destruída em 146 a.C.. No ano de 45 a.C., a Cartago Romana renasceu e passou a ser a segunda cidade de todo o império de Roma. No século III contava com cerca de 200 mil habitantes.

Ruínas da Cidade de Cartago @ Tunísia (2017), by Sérgio Piçarra Photography

Uma parte de Cartago foi, posteriormente, destruída pelos Vândalos e, de seguida, os Bizantinos destruíram o que faltava. Os Árabes chegaram ao país no século VII d.C. e aproveitaram as pedras e torres dessa destruição para contruir mesquitas e mausoléus. Nesta altura foi criada a primeira cidade islâmica do Norte de África: Kairouan, a 165km de Tunes. Aqui podemos encontrar a Mesquita mais antiga no ocidente muçulmano, com o minarete (torre) mais antigo do mundo. Ao longo dos anos seguintes a Tunísia foi sendo conquistada sob o domínio árabe e construídas outras cidades. O império otomano conquista o país em 1534 e volta a reconquistar em 1754, desta vez à Espanha, mantendo-o até à conquista francesa em 1881.

Mesquita de Kairouan @ Tunísia (2017), by Sérgio Piçarra Photography

Em 1956, a Tunísia, conquistou a sua independência de França, através de Habib Bourguiba que se tornou, posteriormente, o primeiro presidente do país. Nesta altura, o país passou a ter um dos regimes mais repressivos do mundo árabe, o que aconteceu até 2010, quando se deu a revolução tunisina – a chamada Primavera Árabe. Desde essa altura que passou a ser o povo a eleger os membros do governo e a fonte de legislação nacional passou a ser uma nova constituição, mantendo assim a natureza secular do Estado Tunisino.

A Tunísia é um país que tem curiosidade de conhecer? Siga-me aqui ao lado que vou contar-lhe sobre os nossos passeios e excursões e deixar algumas curiosidades e informações, que nos foram passadas pelo nosso guia turístico.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Farol do Bugio: o Forte à entrada do Rio Tejo

Já há muito tempo que andávamos a pensar em fazer uma visita ao Farol do Bugio mas após umas pesquisas sobre o assunto, percebemos que visitá-lo não era algo assim tão fácil. Poderíamos alugar um barco, ou comprar um passeio numa empresa de turismo, mas isso significaria ir de barco até ao farol, dar a volta ao mesmo e regressar a terra sem percorrer o seu interior. Conseguimos perceber que anualmente, durante duas manhãs, a Associação Espaço Memória, em parceria com a junta de freguesia da zona e a empresa Water X, para as viagens, realiza um passeio de barco ao farol mas com possibilidade de entrada no interior do mesmo. A visita é acompanhada por Joaquim Boiça, presidente da Associação, historiador e especialista em fortes e faróis de Portugal.

Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography 

Em 2016 quando percebemos as datas disponíveis (30 de julho e 6 de agosto – da parte da manhã), resolvemos entrar em contacto com a União de Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, e perceber como podíamos fazer a inscrição: esta foi feita através de email, com indicação do número (e nomes) de pessoas a inscrever, o dia escolhido e o horário que pretendíamos. Posteriormente dirigimos-nos às instalações da junta para confirmar a inscrição, efetuar o pagamento e garantir a nossa vaga no passeio. Após o pagamento informaram-nos das horas a que deveríamos estar no cais de embarque do Porto de Recreio de Oeiras.

Preço: €25/pessoa

As visitas são feitas apenas da parte da manhã (creio que tem a ver com autorizações da marinha e os horários das marés) e os embarques de hora em hora. Antes da hora combinada estávamos no local, confirmamos que os nossos nomes estavam na lista, deram-nos uma t-shirt com o nome do evento e indicação do nome da empresa que ia fazer o transporte entre o cais e o farol, e vice-versa, e lá fomos nós para a porta que nos ia levar até ao barco semirrígido e daqui até ao Farol do Bugio. Apesar do tempo cinzento o rio estava relativamente calmo e a viagem foi pacífica, tanto na ida como no regresso.

Os semirrígidos que nos transportaram ao Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography 
O Farol ao fundo (2016), by Sérgio Piçarra Piçarra Photography
Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography

Ao chegar ao farol, desembarcamos, fomos em direção ao seu interior e aguardamos que a visita anterior fosse terminada, para dar início à nossa. O passeio vale a pena pela história do local, pelo sítio em si (embora o seu interior se encontre bastante degradado), pela vista sobre a cidade de Lisboa noutra perspetiva e por estarmos no meio do rio Tejo, num edifício que em tempos serviu para proteger a cidade contra invasões e ataques de outros povos e para alumiar quem vinha (e ainda vem) por bem. O nosso guia tinha um conhecimento profundo sobre este local, ou não fosse ele filho, neto e bisneto de faroleiros e ter passado uma parte da sua vida neste farol, enquanto o seu pai foi faroleiro e ali esteve de serviço.

Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Terraço do Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Vistas do Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography

Conselho: pelo que percebemos é sempre bom tentar ir nos primeiros grupos porque a conversa é como as cerejas e as visitas têm tendência a atrasar-se, ou porque demoram um pouco mais na explicação ou a responder a dúvidas e questões que os visitantes possam ter, ou porque depois das visitas as pessoas gostam de dar uma volta por lá e tirar umas fotos e isso faz com que o barco se atrase para trazer o grupo seguinte. A partir de certa altura já não percebemos quem é ou não do nosso grupo e o que interessa é encher o barco para o regresso ao cais de embarque. Quanto mais tarde chegarem ao farol, menos tempo têm para aproveitar o passeio e as explicações, porque a partir de certa hora é necessário mesmo voltar a terra por causa das marés.

Um pouco da história do Farol do Bugio ou Forte de São Lourenço da Cabeça Seca

Localizado a meio da foz do Rio Tejo, entre a Trafaria e Oeiras, começou a ser construído no início do século XVI com o intuito de proteger o acesso à cidade de Lisboa através do rio. A construção inicial foi toda em madeira, erguida também em estacas do mesmo material, mas devido à instabilidade do banco de areia onde estava construído, à ação das correntes e das marés e a fragilidade do material de construção, fez com que a sua durabilidade fosse comprometida. No reinado de D. Filipe I começou a construção do farol em pedra e no reinado de D. João IV a obra passou a ser comandada por portugueses, tendo sido concluída a construção em 1657.

Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Sendo visto bem ao longe o Bugio tem uma base circular com 62 metros de diâmetro por seis metros de altura. O forte em si tem 33 metros de diâmetro por sete de altura. É composto por dois pisos separados por uma moldura, pelos quais se distribuem oito divisões onde, em 1820, se albergaram 50 soldados, tenentes e sargentos, destacados na época para defender a costa da cidade de Lisboa.

Tem ainda uma capela, situada no primeiro piso, que em tempos foi ponto de romarias religiosas e pagamentos de promessas. Hoje em dia, embora ainda se consigam visualizar algumas características do seu tempo de construção, como o mármore incrustado entre tetos e paredes forradas a madeira, vê-se muito mais a degradação e desgaste do tempo.

Capela do Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
No centro da Praça de Armas vê-se erguido o farol, que se encontra ligado ao terraço por três arcos em pedra e com um varandim de ferro, ao qual se pode aceder pelo terraço.

Praça de Armas do Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Vista para a Praça de Armas do Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography

Com o interesse militar reduzido em 1945 o forte foi desarmado, ficando apenas como sinalizador marítimo. Passou a ser imóvel de interesse público em 1957, sofrendo, ao longo dos anos seguintes, de algumas intervenções de consolidação, reparo e conservação. As últimas obras foram entre 1996 e 2000 após a queda de algumas paredes exteriores, ficando apenas as pedras originais, mandadas colocar por D. João IV, na parte que está protegida das ondas e das tempestades.

Hoje em dia serve de farol de apoio à navegação.

Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography
Farol do Bugio (2016), by Sérgio Piçarra Photography

Nota: O valor indicado é referente a 2016. Deverá sempre confirmar com a Associação ou com a Junta de Freguesia o valor atual.